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Terça-feira, 22 de Julho de 2008
Apito Pífio

 

 

“o apito assobiou...para o ar.”

nota:

os poderosos não corrompem,
abusam do poder;
 
tal como os ricos não roubam,...desviam dinheiro
 
 
relativamente ao processo Apito Dourado

in http://antonioboronha.blogspot.com/



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Segunda-feira, 14 de Julho de 2008
Há 122 anos já havia gente que via longe...

 

“Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice , pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas….”
 
Guerra Junqueiro – escrito em 1886



Terça-feira, 27 de Maio de 2008
MEMORIAS...(continuação)...

Há umas duas ou três dezenas de anos,   o serviço de Transporte Publico de Passageiros para o estrangeiro não estava regulado por portarias do tipo CE 561/2006 da União Europeia.  Era tudo um pouco “meia bola e força”, o salve-se quem puder….não havia disco de tacógrafo…

- Disco de quê???..chama-se catógrafo??? Graça….

- Não Zé. É tacógrafo..diz-se disco de  tacógrafo!!!..Ta-có-gra-fo!!!  .

- Ok….ok.. Graça, já percebi. Catógrafo…..

Por  esse tempo o Américo e o Bento andavam sempre na roda viva, Coimbra – Paris, Lisboa  - Bona,  com muito boa vontade, muitas horas de roda…muita alegria…muito profissionalismo e…muita falta de cama…  sem acidentes.

Só que quando menos se espera …..o acidente espera…é que o cântaro tantas vezes vai á fonte,  que perde por lá a asa.

A cidade Luz estava deslumbrante ao por de sol. Os nossos compatriotas que tinham viajado de Lisboa para Paris,  dão os últimos agradecimentos aos motoristas (agradecimento = gorja).

Os dois nossos amigos dirigem-se ao responsável pela viagem na área e recebem indicação, que não vale a pena esperar, podem regressar em vazio a Portugal.

Questões que logo se colocam aos nossos amigos:

Valerá a pena ir dar uma de “olho” ás Gaulezas?

Ir dormir e arrancar cedo bem repousado?

Ir comer algo?

Tomar banho?

Nã….nã,  nada disso.

São uns profissionais!!!!!!!!!

A janta vai ser pelo caminho… bóra!

E aí vem eles, a viatura ainda com o motor “bem quente” da ida, inicia o regresso.

Fazem as estradas Francesas, ora conduzes tu, ora agora conduzo eu…tudo na maior…a noite é negra e pesada, com ameaças de chuva. Fazem a passagem da fronteira França- Espanha, nada de problemas,  a “bófia”  a esta hora quer é sossego.

 Em plena Espanha e na noite profunda, quatro, quatro e meia da manhã,  quem vem com a roda é o Americo, o Bento esse vem com a “cama” montada no ultimo banco do autocarro e em sono profundo, que se nota pelo ruído que lentamente vai embalando o Americo. O ruído tanto embalou o Americo,  que este ao entrar numa curva,  esta momentaneamente transformou-se em recta. Piso com declive acentuado. O autocarro leva o separador lateral á frente, entra de frente na descida, roda pelo lado direito e dá duas voltas, imobilizando-se no fundo da ravina.

Silencio total. Nem um aí. Não há viaturas a circular a essa hora. Não se vê nada da estrada.

De repente um movimento no meio do mato do declive. È o Bento. Apalpa-se….nada partido, um pouco tonto. Não se lembra do que aconteceu , nem onde está..vinha a dormir nos braços de Morfeu. De repente, tem um baque!!! O autocarro? O Americo? Vê em baixo uma silhueta. È o autocarro todo “amassado”. Tiveram um acidente. O Américo? Vê ao volante…nada. Dentro do carro onde é possível ir…nada. Vai á estrada. Nada. Percorre o monte. Nada. O Américo????

Só pode estar num local. Debaixo da viatura. Vem para junto da viatura e sentado numa pedra entra em desespero. O Américo está debaixo da viatura. Telemóvel ? não existe, só anos mais tarde inventaram. Telefone por perto?  nada. Que fazer? Lamenta-se não estar acordado quando foi “cuspido” da viatura.

Quando dava largas ao seu desespero ouve um ruído. Aproxima-se da viatura…e… milagre…. ouve de repente :

- Bento???!!

- Ó Bento!!!

- Bento!!!!

Não pode ser!!! falam de debaixo do carro. È ele!!!! é o Américo!!!

È…. ainda dizem que não há milagres!!! O Américo quando foi cuspido da viatura , caiu numa vala do campo,  tendo o autocarro caído em cima , mas a viatura não lhe bateu. Estava ileso.

E para sair?

Acabou por sair uma horas depois, quando a policia espanhola consegui içar o autocarro.

Lição a tirar:  

-  Em Paris, primeiro, vai-se alegrar o "olho".

Depois...

Só depois se pode pensar em trabalho....

 

 



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Terça-feira, 30 de Outubro de 2007
SOBREVIVENCIA.....
Muito se ouve falar, tanto nos jornais como na televisão, em dificuldades económicas, alto custo de vida, fome. Porém, poucos de nós temos a percepção de quais foram as  dificuldades reais da população da nossa região (Figueiró dos Vinhos, Pedrógão Grande, Graça, etc…),  no pós guerra 1914-1918 e nas décadas difíceis que se lhe seguiram e que perduraram com a 2º Guerra Mundial.
Eu e a minha geração nascidos no inicio da década de 60, não nos apercebemos disso, embora aflorasse aqui e alem a verdadeira fome. Só quando se faz a comparação, entre o custo dos produtos básicos da alimentação e o valor pago aos trabalhadores por um dia de trabalho, se pode ter uma ideia, e, mesmo assim apenas aproximada, do que seria o dia a dia da população mais pobre desta zona do país. Acresce, que a media de filhos por família era de 4/5 filhos, havendo algumas famílias com 9 e 10 filhos. Os estudos sobre esta realidade na zona norte do Distrito de Leiria não são muitos, nem eu tenho aspirações a faze-los, mas ao folhear alguns livros de registos dessas épocas (1920-1985)  que possuo, senti vontade de os dar a conhecer, ate porque alguns jovens da geração das minhas filhas,  pensam que sempre houve telefones, computadores,  electricidade, televisão, grandes superfícies comerciais, cartões de credito e vencimentos “elásticos”.
Não. Há 80, 70 e até há 40 anos, não havia dinheiro para comprar comida, nalguns casos nem comida para se poder comprar. E é bom olhar para traz e sentir que alguns, mesmo que com infinitas dificuldades, souberam ultrapassar essa fase difícil das suas vidas e da dos seus. Espero que ninguém fique sentido, ao ver referenciado o seu nome (até porque o trabalho nunca desprestigiou ninguém), pois embora a roda do tempo, se tenha encarregue de colocar algumas destas pessoas em local bem mais agradável que este aqui na terra, felizmente, alguns há,  que ainda nos servem de testemunhas vivas. Por eles e para eles a minha admiração e o meu obrigado.
ANO DE 1927
Sr. Francisco Joaquim -  morador no Lugar da Lomba
Dia 18/02/1927 Levou 3 alqueires (15x3=45 kg) Batatas - Deve – 36$00
Dia 2/06/1927 trabalha 1 dia por conta  – 8$50
Dia 4/08/1927 trabalha 1 dia por conta  – 8$50
Em Dezembro pagou com trabalho      - 19$00
                                                               SALDO  00$00
Valor de um dia de trabalho – 8$50 (oito escudos e cinquenta centavos)
Valor de 45 kg de batatas – 36$00 (trinta e seis escudos)
Como se vê em 1927 tinha de se trabalhar no mínimo 4 dias para pagar 45 kg de batatas.
O que quer dizer, que, se hoje um dia de trabalho ronda os 10.000$00 (50 Euros) na mesma proporção os 45 kg de batatas custariam 40.000$00 (200 Euros)!!!!!!!
Dá que pensar…o vencimento mínimo de hoje é de 403 Euros, só daria para comprar 2 sacos de batatas de 45 kg cada!!!!!!!!!
Na verdade,  hoje,  nem sei o preço de 45 kg de batata,  mas tenho a certeza,  que com 200 euros compro batata para si e para mim, para muito tempo.
Mas os vencimentos nessa época não são como hoje, em que a tendência, é de subir. Nesse tempo variava conforme a oferta. Mais mão-de-obra, menos dinheiro. E as mulheres? ainda pior,  recebiam metade do vencimento dos homens. Mas, até o vencimento dos homens variava conforme a tarefa, senão vejamos:
Ano de 1938 ( Fim da Guerra Civil de Espanha …quase inicio da 2ª Guerra Mundial)
Dia 14/02/1938 – Limpar Oliveiras
– João Ventura  – do lugar dos Covais  - 1 dia – 8$00
Dia 14/02/1938 – Cavar na Vinha
 -  Manuel Coelho – do lugar dos Covais – 1 dia – 7$00
Dia  18/02/1938 – Atar Videiras    
 – Augusto           – do lugar da Pereira -  1 dia - 7$00
Dia 18/02/1938 – Apanhar Vides    
– Emília               – do lugar da Pereira – 1 dia – 4$00
De 1927 para 1938 os salários conseguiram descer 12.5% é obra!!!!
Ano de 1939
Dia 4/10/1939 – A Vindimar
– Angélica - Lugar da Lapa             – 1 dia 4$00
– Maria Dias – Lugar da Marinha     -  1 dia 4$00 
– Glória – Lugar da Carvalheira        – 1 dia 4$00
– Delfina – Lugar do Vale               –  1 dia 4$00
Não há aumentos para ninguém… ate parece que o custo de vida desceu…
Ano de 1942
Dia 30/11/1942 – Apanhar medronho e azeitona
– Preciosa – Lugar da Marinha – 1 dia 5$00
– Beatriz – Lugar da Lapa – 1 dia 5$00
Dia 5/12/1942 – Sexta Feira – A roçar mato
– José – Lugar da Lapa – 10$00
Como se vê melhorou o salário de 1939 para 1942. Mas… melhorou mesmo?
A titulo de curiosidade :
O litro de aguardente de medronho em 1931 vendia-se
 a 5$00  e o vinho a 1$50.
 

 Uma desgraça nunca vinha só…

até beber,  para esquecer, ficava caro……




DICIONARIO TRADUTOR DE LINGUAGEM - VILA FACAIA - PORTUGUÊS
Encontrei esta pérola no link -  http://www.vilafacaia.pt.vu/   como tal, eu não podia deixar de a colocar aqui.  É que Vila Facaia é Sede da Freguesia com o mesmo nome    e fica aqui coladinha á freguesia da Graça.
Quem sabe???….pode ser que lhe seja útil se por aqui aparecer…
Dicionário Vila Facaia - Português
 Vila Facaia
 
Português Corrente
 
E eu é que sei?!
 
Mas eu é que sei?!
 
Na, na, na, na, na!!
 
Não
 
Não quer flaita!?
 
Pois não
 
Bota ai um frasco!
 
Dá ai uma cerveja
 
Avó é que sabe!?
 
Eu não sei, pergunta a outro
 
Pida cima
 
Por ai a cima
 
Pida baixo
 
Por ai a baixo
 
Bota ai uma pouca de auga
 
Dá ai um copo com água
 
Engenharia
 
Não tem tradução
 
Pêro de cigano
 
Pénis
 
Encamisar o piston!
 
Usar preservativo
 
Como é qué?!?!
 
O que é que se faz?
 
Bota a baixo!?
 
Não tem tradução
 
Chupar o vitelo
 
Não tem tradução
 
Isso é que é assunto!?
 
Isso é que é falar!
 
Tou cá com uma securia?!
 
Estou cheio de sede!
 
É de stoque!
 
É de repente
 
Água de cozimento
 
Chá 
 
Catano
 
Fogo!
 
Arrear o calhau!?
 
Urinar
 


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Quinta-feira, 25 de Outubro de 2007
Serviço Militar

Há quem tenha cumprido o serviço militar e considere que apenas andou a perder  tempo.

Eu não.

Eu perdi o tempo e o dinheiro ganho antes da incorporação. É que esta coisa de "gozar a vida"  com o valor do "pré" é uma grande mentira...

 

Mas no fundo penso que  ganhei alguma coisa , pois o espirito do codigo de honra da PE aplica-se á vida Civil....

 

Código de Honra do Lanceiro
Policia do Exercito

 
 
PRIMEIRO
O LANCEIRO É DIGNO DE PERTENCER À CAVALARIA.
 
SEGUNDO
O LANCEIRO CULTIVA A ENERGIA PATRIÓTICA PARA A CONTÍNUA REDENÇÃO DO PORTUGAL ETERNO.
 
TERCEIRO
O LANCEIRO SABE QUE SÓ ATINGE A MÁXIMA PERFEIÇÃO, QUANDO CUMPRE A SUA MISSÃO.
 
QUARTO
O LANCEIRO ASSUME-SE COMANDANTE OU SUBORDINADO, COM A MESMA INTEIREZA, FORÇA E GENEROSIDADE.
 
QUINTO
O LANCEIRO PRATICA ILIMITADAMENTE A VIRTUDE DA CAMARADAGEM.
 
SEXTO
O LANCEIRO QUER SER SEMPRE O MELHOR, QUER NA GUERRA, QUER NA PAZ.
 
SÉTIMO
O LANCEIRO CRÊ QUE O ESPÍRITO É A SUPREMA FONTE DE TODA A MORAL.
 
OITAVO
O LANCEIRO AMA E PROSSEGUE OS CAMINHOS DA HONRA E DA GLÓRIA.
 
NONO
O LANCEIRO JAMAIS TEM MEDO DA MORTE.
 
DÉCIMO
O LANCEIRO BATER-SE-Á SEM TRÉGUAS ATÉ À VITÓRIA.
 

 

Alem destes,  havia mais um principio não publicado, que se aplicava quando estava de serviço ,  e que era .."Um PE não dorme,  descansa como os cavalos".

...sempre de pé ....como é evidente....Aí!!!  as minhas varizes.!!!!.

 



publicado por a voz às 15:43
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Quarta-feira, 24 de Outubro de 2007
LAVAGEM A SECO - Memorias (continuação)

Quando se trabalha mais de 29 anos numa empresa, esta, mesmo que se não queira, começa a fazer parte da nossa vida, da nossa “cultura” pessoal. Há amigos que perduram mesmo depois de terem saído á décadas do nosso convívio diário. Um desses casos é o do Dr. Adelino Antunes, que foi  responsável pelo Serviço de Armazém da Rodoviária Nacional, em Coimbra  (vi-o a 1ª vez em Janeiro de 1981 quando vim de Lisboa para Coimbra).

Pelos anos de 1989/1992 o Dr. Antunes tinha na estrutura da Empresa o chamado “amigo”,  que por acaso era seu superior hierárquico e que também por acaso lhe tinha um “amor fígadal”, tentando sempre ”fazer-lhe a cama” . Este seu “amigo” tinha o habito de ir ao WC e "fazer de conta" que lavava as mãos. O Dr. Antunes não desculpou e dedicou-lhe o poema abaixo.

 

Pasmai senhores..quem diria!!!!????

Que aqui mesmo, ao nosso lado,

Claro “génio” surgiria

Num “recato”, que cobria

Seu invento, o mais safado,

Em boa hora chamado:

“De técnicas avançadas

de Mãos A Seco Lavadas.”

 

Eis a preclara receita

Do “génio”, que aconselha:

- Primeiro, olhar de esguelha

A ver se alguém espreita;

-Depois, mãos em parelha,

Todo ele, maneiras, se ajeita

Frente ao espelho, que o espelha.

 

Dedos frágeis, estendidos,

Tocam, “suave”, a torneira,

Que se abre um só segundo…

E a outra mão, sorrateira,

Em gestos escusos, fingidos,

Se envolve em “SECOS” fluidos,

Que se escapam num repente,

Soltando o calor latente,

Num sopro cavo, profundo!

 

Assim se esvai a “sujeira”

Transformada em “energia”,

Pois já Lavoisier dizia,

Ao reger sua cadeira:

-“A Natureza Transforma,

Nada se perde, nem se cria!”

 

Destas “artes sublimadas”,

Para além de economias,

Risos e brejeiradas,

Tornam-se as mãos macias!...

E assim se poupa, atenção:

- Sabão e energias;

- Águas quentes e águas frias;

-E detergentes;

-E as mais valias.

Tudo são economias!

…………………….

…………………….

…………………….

Coimbra, 13.05.1993

Adelino Antunes

 

 

O poema continua, descrevendo a figura, mas como é tão real a descrição, quem trabalhou lá nessa data via logo a quem se referia e esta situação poderia trazer problemas ao Dr. Antunes, que é coisa que não desejo. Pois ambos (autor do poema e visado) estão vivos e de saúde.



publicado por a voz às 12:15
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Quinta-feira, 11 de Outubro de 2007
O XEIS XEISXENTOS - ou as memorias de uma empresa...
Por aqueles dias, a Empresa de transportes tinha sido comprada, por uma outra empresa concorrente. Os novos patrões, encontravam-se a percorrer as diferentes áreas de implantação da empresa de modo a terem um conhecimento do terreno.
O “Xeis Xeisxentos” era o típico cobrador–bilheteiro, figura atarracada, com o fato sempre lustroso,   devido aos pingos da “pinga” e á falta de agua que tinha em casa. Havia quem dissesse que o Xeis Xeisxentos não era Cobrador , era sim um Agricultor que nas horas vagas fazia uns biscates de Cobrador . Mas ele não tinha culpa, a “chapa“ dava horas em vazio e ele tinha de as ocupar de algum modo. Umas dando forte na agricultura e outras dando ainda mais forte nos “copos de três” .
O Balão foi invenção daqueles tipos lá da Europa, e essa ainda vinha longe, neste tempo, o Botas ainda não tinha caído da cadeira.
Como todos os dias, o autocarro ia “á pinha”. O motoristas carregava no prego fazendo a viatura largar aquela coluna de fumo característica das viaturas com mais de 2 décadas, ar condicionado era mentira. Os passageiros apinhavam-se em pé no corredor, o Xeis Xeisxentos comprimido pela mole humana, suando em bica, tentava a todo o custo cobrar os bilhetes antes da paragem seguinte.
- A Xôra para onde vai?
- Santa Clara.
Ripa do livro, coloca a  régua em riste e… Zás..
- São xinco Xões, mas trocados quê nã tenho troco pra ninguém.
-E o Xôr?
- Banhos Secos…
-Dez Xões.
E ele … Zás... mais um bilhete.
Neste espaço,  o Autocarro chega a Santa Clara e diz o Xeis XeisXentos:
- Xanta Clara, xó xaem….nã entra ninguém,  quisto esta pior ca minha xalgadeira.
A viatura estaca de repente levando a massa humana comprimida a ter um movimento no sentido frontal, logo seguido de movimento inverso. Ouvem-se alguns gritinhos uns porque foram pisados, outros comprimidos.
Na rua um grupo de passageiros para a feira de Condeixa, dirige-se á porta para entrar, mas, nesse momento o Xeis Xeisxentos assoma a cabeça ao cimo da escada e grita:
- Nã entra ninguém , já dixe. Quem quixer  espera pla outra…!!!!!!
Ora ,pela outra?!!!!  toda a gente sabia que a próxima, era daí a quatro horas. Ouvem-se protestos, vozes em alvoroço, mas o Xeis XeisXentos mantêm a sua posição.
- Nã entra ninguém. Já dixe. Quem quixer que se vá queixar á Empresa.
Nisto ouve-se uma voz forte
- Espera aí !!! , nós temos de entrar, somos os Patrões, andamos por ai a conhecer as zonas das carreiras, temos de entrar.
O Xeis Xeisxentos recuou. Olhou com olhos de quem esta a ser desautorizado, reprovadores, avança um pouco o corpo pela porta e de dedo em riste atira:
- Eles dizem,   q’eles andam por aí, mas quer xejas quer não xejas patrão, vais a pé , o   tê cú não é melhor có dos outros.
Recolheu o corpo, compôs o fato e com voz de comando disse:
- Arranca jééé!!!!… estes gajos pensam que xão donos desta merda.... Bóra…Jée.
O motorista meteu a mudança e com um solavanco a viatura arrancou no meio de uma nuvem de fumo.
Moral da historia:
- O Xeis XeisXentos fez a cobrança da sua ultima carreira, mas a sua agricultura ficou ainda melhor com uns braços a tempo inteiro.


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Sexta-feira, 21 de Setembro de 2007
Director e Proprietario do Jornal "O Seculo" - Jose Joaquim da Silva Graça

José Joaquim da Silva Graça, nasceu em Pedrogão Grande em 25.04.1858 e morreu exilado em França,  na cidade de  Hyeres em 05.05.1931.

 

Do 1º Casamento   - com  Matilde Silva,  nascida a 11.10.1860,  tem 3 filhos:

 

 - Maria da Silva Graça, nasceu em 1880 e faleceu a 07.02.1964 - casou com Marcos Vieira da Silva, de cujo casamento nasceu em 13.06.1908 a pintora Maria Helena Vieira da Silva que foi casada com o pintor arpad Szenes..

- Maria Beatriz da Silva Graça, nasceu em 1880 casada com Roberto de Almeida

- Maria Albertina da Silva Graça,  nasceu em 02.01.1890 casada com José Garcia Rugeroni

 

Do 2º Casamento  - com Maria Amália da Fonseca - nascida em 1869, tem  2 filhos:

 

- Aida da Silva Graça

- Ildefonso da Silva Graça,  nascido em 28.12.1897

 

José Joaquim da Silva Graça - Director  de " O Seculo"




Quinta-feira, 13 de Setembro de 2007
Freguesia da GRAÇA
A freguesia da Graça está situada a cerca de 12 km da sede do concelho e é constituída por 28 povoações que se espalham sobre uma superfície com uma área de 31,20 km2.
Os limites geográficos da freguesia confinam a sul com Cernache de Bonjardim, a norte com as freguesias de Vila Facaia e de Campelo, esta do concelho de Figueiró dos Vinhos, a oeste com a Vila deste último nome e a leste com a Vila de Pedrógão Grande.
O topónimo da freguesia tem obviamente a ver com o seu orago. Mas de entre todos os nomes dos seus lugares, dois deles ressaltam imediatamente: Altardo e Atalaia. De origem árabe, leva-nos a crer que esse povo pousou por aqui durante um determinado período da sua ocupação.
Ninguém sabe se a fundação da antiquíssima povoação de Graça terá acontecido durante aquela época ou se remontará a uma fase anterior, por exemplo romana. O mesmo se passa com a origem dos seus primitivos habitantes.
A instituição paroquial poderá ser situada numa data ocorrida entre os anos de 1581 e 1592. É que naquela primeira data, registou-se na igreja paroquial de Pedrógão (conforme o livro de assentos) o último baptismo de um morador da área da Graça. E em 1592, no livro de registos da igreja de Nossa Senhora da Graça é notado pela primeira vez o sacramento pelo qual se ingressa na comunidade cristã.
Veja-se este último assento: -”Mateza ferr(os) (à margem). Baptizei a mateuza já de António Lopez e de sua m. (er) Simoa Joana do Casal dos Ferreyros foi padrinho Simão Fuz soltrº. . E madrinha das Simoa m.er Seguda do amador Luís aos 28 do mês de Setembro (1592)”. Para reforçar a tese da criação paroquial antes de 1600, diga-se que a partir desse ano, não consta dos livros “ad hoc” de Pedrógão Grande, qualquer registo referente a naturais da freguesia da Graça.
Em meados do século XVIII o “Dicionário Geográfico” diz: “Graça ou Senhora da Graça, aldeia antiquíssima, assim chamada por causa do orago da freguesia. Fica no termo da Vila de Predógão Grande, na Comarca de Tomar. O seu povo sobe a 134 fogos, com 608 na matriz consagrada à Senhora da Graça”. Note-se aqui que 608 seria o número de habitantes já que a cada fogo corresponderiam 4,5 moradores.
Não sabemos até que ponto estes números estariam certos, pois que pouco mais de um século depois, a estatística paroquial de 1862 atribui à freguesia uma população de 1523 habitantes distribuídos por 312 fogos. Ora, é pouco crível que em tão curto período tivesse um tão grande aumento, tanto de edifícios como de moradores. Tal só poderia ser explicado por um anormal desenvolvimento do qual não há a mínima notícia.
É também por esta altura que Pinho Leal regista no “Portugal Antigo e Moderno” que a antiga freguesia de Nossa Senhora da Graça se situa no termo do concelho de Pedrógão Grande. Viria, em 1895, a ser anexada ao concelho de Figueiró dos Vinhos para 3 anos mais tarde regressar ao actual.
Eclesiasticamente, esta freguesia foi em tempos um curato da apresentação do cabido da Sé de Coimbra. A sua igreja matriz foi incluída nos “Tesouros Artísticos de Portugal”, onde se lê que “O interior é de uma só nave, coberta por tecto de madeira de três planos, e possui quatro altares. No nicho do altar-mor admira-se uma escultura de pedra dos fins do século XVI representando a Santíssima Trindade. A capela do lado do Evangelho contém uma outra escultura de pedra da mesma época representando o orago, inspirada nos ícones do Renascimento coimbrão. Pertencem ao recheio uma cruz processional lavrada, do século XVI, e uma custódia de prata do século XVII, ambas de prata”.
Já anteriormente Gustavos Matos Sequeira referia-se à igreja no “Inventário Artístico de Portugal-Distrito de Leiria”. Também este autor destacava a “Cruz Processional, de prata, renascentista, com ornatos gravados (século XVI), medindo 1,070 m. O Cristo, é de latão, aplicado posteriormente. Possui, também, uma custódia de prata, com campainhas, seiscentista, com a altura de 0,620 m”.
Nesta freguesia, nasceu a 25 de Abril de 1858, José Joaquim da Silva Graça. Notabilizou-se como jornalista de grande actividade, tornando-se director e proprietário do conceituado Jornal “O Século”. A ele se devem a criação do “Suplemento Humorístico” daquele periódico e a fundação da “Ilustração Portuguesa”, notável revista por onde passaram vários dos melhores nomes do nosso jornalismo e da nossa literatura.
Graça é uma terra airosa e acolhedora, apresentando características agrícolas, de propriedade muito dividida com as suas pequenas leiras de terra, onde o povo semeia e colhe uma parte da sua subsistência.
Essa ruralidade não foi afectada pela construção de uma das maiores obras de arte da engenharia e técnica portuguesa dos últimos 30 anos: a Barragem do Bouçã. Cremos mesmo que a freguesia em muito saiu beneficiada. Classificada por decreto como de “utilização limitada”, a albufeira criou um notável enquadramento paisagístico e despertou novas potencialidades turísticas.
in www.minhaterra.com.pt - anafre


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